Estilo de vida

Linguagem corporal: além das palavras

A linguagem corporal é vista por muitos como um complemento à fala, mas a verdade é que ela representa muito mais do que isso.

Como uma comunicação não-verbal o corpo, na verdade, pode ser o principal comunicador de muitos sentimentos e sensações, inclusive contradizendo em alguns casos o que palavras tentam expressar.

linguagem corporal

Afirmações ou contradições?

Linguagem corporal pode ser um detector de mentiras.

  • Se uma pessoa te diz que está muito feliz e animada com algo enquanto não esboça um sorriso e fica com os ombros caídos, por exemplo. Isso te passa confiança? Permite que você acredite no que ela está dizendo?
  • Mexer as pernas e os pés sem parar. Um conhecido indicativo de ansiedade, não importa o quanto você afirme estar tranquilo e relaxado.
  • Se encolher, cruzar os braços. São maneiras de se fechar e quase que dizer ao mundo que “não estamos disponíveis”. Seja para trabalho, relacionamentos, novas opiniões. Nos voltamos para dentro de nós mesmos não necessariamente de uma maneira negativa, mas de modo que nos impedimos de enxergar e viver o novo.
  • Ao mesmo tempo em que sorrir, manter as costas retas, erguer o queixo ou até mesmo dar um aperto de mão transmitem mensagens positivas, e inclusive são esperadas pelo outro em uma conexão.

São simples gestos que podem indicar o interesse ou não naquilo que estamos dizendo, e sobretudo traduzir o quanto estamos preparados para enfrentar determinada situação.

As diversas manifestações da comunicação não-verbal

Você já esteve interessado em alguém e só pelo jeito dela agir percebeu se era recíproco? O modo de agir ajudou na tomada de decisão em “chamá-la para sair ou não”?

Ou ainda se sentir contrariado, negligenciado ou completamente julgado porque alguém virou os olhos para o que você falou?

E não é somente nas pessoas que podemos notar a importância da linguagem corporal. São em diversas imagens ou situações que a comunicação não-verbal como um todo ganha seu espaço, ultrapassando inclusive o que um dia podemos imaginar.

Os próprios emojis cada vez mais utilizados no mundo digital traduzem esta importância das expressões e gestos naquilo que queremos dizer. Em primeiro lugar porque utilizá-los da maneira errada pode gerar inúmeros conflitos. Em segundo lugar porque é tênue a linha entre utilizá-los bastante para reforçar o que você está sentindo, ou exagerar a ponto de não ser mais levado a sério.

Saber dosar e administrar a linguagem não-verbal também é um indicativo de como você está se sentindo, e saber se expressar é o que, muitas vezes, vai trazer ou não uma solução.

Dinâmicas de poder e dominação na linguagem corporal

Quando você se abre, se mostra grande, transmite a sensação de domínio e força. Um comportamento que vem já do mundo animal (podemos pensar num pássaro de asas abertas para exemplificar), e que junto a inúmeros outros fatores define muitos sinais no universo dos humanos.

Quando erguemos os braços para comemorar algo, por exemplo, não trata-se somente de um impulso ou de um gesto impensado. É uma maneira de nos sentirmos grandes, o suficiente para que caiba ali todo o sentimento que, somente em palavras, não conseguiríamos expressar.

Falando sobre mulheres, acontece muito de observar em alguns ambientes como elas se recolhem mais do que os homens. Por toda a opressão que já sofreram e pela posição que muitas vezes ocuparam (ou ainda ocupam), elas costumam ter receio de demonstrarem-se grandes na maneira como se expressam.

Mesmo quando se sentem confiantes e felizes, acontece muito do gênero feminino ser julgado por seu comportamento. Isso não raramente as torna, enfim, mais comedidas e reclusas em diversos casos.

A questão é que com mulheres cada vez mais presentes em grandes cargos em empresas, com sua ascensão nos mais diversos setores, está se tornando cada vez mais comum ver mulheres empoderadas. Um reflexo que pode ser visto através de variadas manifestações, não apenas na maneira de agirem, falarem e se comportarem, como também no modo como se vestem.

A posição e comunicação das mulheres está sendo transformada, e essa questão ajuda muito na sua capacidade e talento de transformar.

Entre o positivo e o negativo, linguagem corporal é transparência

Não é sempre que mostrar-se imponente e fortalecido é a escolha certa, pois respeitar nossos sentimentos também é importante. Em momentos em que precisamos encontrar conforto dentro de nós mesmos, buscando respostas em nosso interior, se recolher pode ser eficiente.

Sabe o movimento de se encolher como concha e abraçar os joelhos, quase em posição fetal, quando temos vontade de chorar? Se não é uma situação à qual precisamos reagir, isso pode fazer com que a gente se sinta protegido e acolhido pelo que existe em nosso interior.

Mas dito isso, voltemos a uma outra premissa: é possível mudar, através dos gestos, o que estamos sentindo. E não somente o contrário.

Caminho de ida e volta: você pode mudar como se sente.

Por tudo o que estamos dizendo, fica claro que seus sentimentos refletem na sua linguagem corporal. Mas seria possível dizer o contrário? Existem muitos estudos e evidências que comprovam que sim.

Mesmo que não se sinta confortável de início, forçar um gesto, um sorriso ou uma postura diferente pode fazer com que você se sinta diferente também.

Para quem não está acostumado, abrir os ombros e erguer o peito, de início, causa aquela sensação de “ser metido”, imponente até demais. Porém, isso aos poucos pode sim se tornar natural, e transformar-se com naturalidade em autoconfiança.

Tudo isso não acontece de maneira isolada. Existem muitos fatores envolvidos em mudanças de postura e comportamento, que tornam esse ciclo possível. E os hormônios estão entre eles, nos ajudando a entender um pouco como isso acontece.

No TEDTalks de Amy Cuddy sobre este tema, ela convida a plateia a mudar de postura por dois minutos. Neste pequeno espaço de tempo e com sutis demonstrações, fica fácil sentir a diferença que mínimas atitudes podem causar na nossa personalidade.

Antes de situações de estresse, experimente fazer repetidamente gestos de poder por estes 2 minutos, como ela fez, que seja. Coloque as mãos na cintura como a “pose da mulher maravilha”. Deixe a coluna reta. Erga o queixo levemente. Configure seu cérebro sentindo-se e demonstrando-se incrível.

Isso irá ajudar a elevar seu nível de testosterona e baixar o cortisol, reduzindo o estresse ao mesmo tempo em que eleva sua estima.

A questão não é “fake until you make it”, ou em português “finja até conseguir”, como a própria Amy Cuddy diz. Mas finja até se tornar realidade, a ponto de nunca mais precisar fingir.

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